VASCO DA CAMA
Retrato clássico de Vasco da Gama com colagem queer: stickers e a bandeira Progress cobrem o rosto, subvertendo a iconografia imperial.

Este projeto debruça-se sobre temas de história queer para iluminar o presente. Procura a contemporaneidade para suportar a análise do passado e tecer uma narrativa mais fidedigna, menos colonialista e opressiva, mais feminina e queer, mais complexa. Para tal, viramos a expedição para dentro, rejeitando a monumentalidade da história oficial para escavar nas suas margens e construir uma história mais inclusiva.

Vasco da Cama

Vasco da Cama é uma apropriação sarcástica e subversiva de uma das maiores figuras do imaginário histórico português. Enquanto Portugal continua apoiado na sua centralidade colonial, sem qualquer nuance no discurso, o resto do mundo vai reclamando reconhecimento da exploração humana elevada a uma potência mercantilista, num dos seus momentos mais aprimorados de violência e opressão.

Enquanto Colombo é tantas vezes reavaliado por um movimento decolonialista, que bem o visa representativo das atrocidades que lhe seguirão, em contraste com a falta de reconhecimento dos Portugueses que, desdobrem-se como quiserem, são responsáveis por milhões de mortes e outros milhões de desenraizados, contando apenas o mercado de escravos. Foram verdadeiros exploradores — de pessoas, de recursos, de pessoas como recursos. O cânone histórico tradicional continua a celebrar a epopeia de um homem que navegou oceanos e levou com ele os filhos de uma nação que se formava numa ilusão de grandiosidade mística.

Lembremo-nos que a História fervilha nas margens, que na Carreira da Índia seguiam também os que encontravam fora de casa e no meio de um mar de outros homens o refugio possível, ou quem se masculinizava numa vontade de lutar contra os constrangimentos impostos pelo conceito de género.

É preciso reconhecer, registar e até celebrar as figuras queer do passado. Navegar pelos arquivos, pelas memórias e pelos silêncios para desconstruir a narrativa vigente. Conquistar humores coléricos viris que ditam as epopeias e aprofundar a esfera *íntima*, feminina, *fleumática*. Uma existência queer cujo legado é sistematicamente omitido das narrativas hegemónicas. Ao trazer o Vasco para a Cama, rejeitamos a monumentalidade da história oficial, temas como expansão, império e violência para realizar uma escavação nas margens, no espaço íntimo, do desejo, do segredo, onde se encontram os fragmentos de vidas que nos permitem construir um passado mais íntegro e complexo.

Método e abordagem:

Explorar.

Aventuramo-nos para além dos mapas da historiografia dominante, navegando em arquivos institucionais e comunitários, por fontes primárias e através de fontes secundárias. A nossa exploração não procura a exração de riqueza, mas sim os vestígios de vidas queer que foram ignorados e catalogados como "desviantes" pelo discurso dominante — que perduram numa carta, num auto policial, numa fotografia anónima.

Examinar.

Cada documento encontrado exige um exame minucioso. Recorrendo a teroria queer, estudos culturais e história sociall (com uma veia materialista), **e sem nos limitarmos pela discussão entre essencialismo e construtivismo**, analisamos criticamente as fontes para compreender as suas texturas e os seus silêncios, questionando quem as produziu, com que propósito, e como refletem as estruturas de poder da época.

Expôr.

Porque o conhecimento arquivado não cumpre a sua função se permanecer inacessível, o nosso compromisso é com o público. Traduzimos temas de investigaçõess académica rigorosa snuma linguagem envolvente através de ensaios e outros meios, tornando-a acessível a uma audiência mais global e construindo uma comunidade através do conhecimento.

Eternizar.

Como ato final e derradeiro, lutamos ativamente contra o esquecimento. Cada história resgatada e cada análise produzida são integradas no nosso arquivo digital, um esforço deliberado para salvaguardar este património coletivo para as gerações futuras, garantindo que estas narrativas de resistência e existência nunca mais se percam.

Junte-se à tripulação

Esta plataforma é um projeto em construção permanente e aberto à colaboração. Convidamos a fazer parte desta viagem. Quer seja da academia com investigação para partilhar, estude, seja artista, ativista, ou simplesmente tenha curiosidade pela complexidade do nosso passado, a sua perspetiva é fundamental.